O dia amanhecia. O céu azul estava maravilhoso e convidativo. Um rapaz bonito dormia em seu sono mais profundo. Acordou de repente, do meio de um sonho. O relógio marcava 6h13min. Estava atrasado. Não se lembrava pra que, mas decididamente estava atrasado. Olhou para os lados, o computador ainda estava ligado, provavelmente fazendo um download.
Levantou-se da cama, e bateu o pé no seu narguilé. Lembrou-se de alguns flashs da noite passada. As garotas, os garotos, todo o amor expressado, sentido. Olhou novamente o relógio. 6h17min. Calçou seu tênis; o coração começava a bater mais rápido. Reparou em um papel no chão. Pegou-o para observar. Apenas mais um telefone de um garoto.
Preparou um café da manha corrido. Um peixe frito que estava até babento de anteontem e que encontrou em uma vasilha na geladeira. Tentou pescar uns biscoitos na jarra. Pegou um em formato de estrela, e acabou de comer junto com o resto do peixe. Fez um chocolate quente apressado também, que deixou cair justo em sua calça. O calor do chocolate quente quase o fez chorar de dor e ódio. Por que tudo havia de dar errado?
Deixou a cozinha toda suja e voltou para o quarto. Anotou mentalmente que precisaria varrê-lo em breve. Ligou a TV do quarto, enquanto penteava o cabelo. Olhou-se no espelho, agora devidamente vestido e penteado, pegou um vidro transparente de um de seus vários perfumes. Sim, isso, o do líquido azulado, o preferido dele. Desceu as escadas do apartamento. No apartamento de baixo ainda ouvia-se o som do pagode de sexta a noite. Olhou para o pôster na porta daquele apartamento. Nunca entendera o hipopótamo ali. Em meio a toda aquela paisagem de concreto.
Passou pela portaria, deu um bom dia ao porteiro. Olhou uma última vez pra aquela que chamava de casa. Entrou no carro. Um lindo Camaro 2008, conquistava todos quando andava com ele. A primeira coisa que fez ao entrar no carro foi sintonizar uma rádio.
Don’t call my name, Alejandro...
Tocava Lady Gaga. Um dos garotos ou garotas deviam ter mudado sua estação em meio à farra de ontem. Ele ficou bravo, e, de repente, lembrou que era sábado de manhã. Não havia expediente, nem preocupações, nem atrasos. Só desenhos animados na TV, e o descanso merecido.
Voltou pra casa, não se trocou. Caiu na cama, sentiu amor próprio por si mesmo, e adormeceu novamente, para seus sonhos sem explicação.
2 comentários:
Como já disse, sucinto na medida para dar o clima certo e distribuir as ideias. Espero que o falso-desfecho traga algo mais. XD Eenfim, muito bom. ^^
Muito bom!
Vou voltar sempre.
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