segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Sábado à Noite

Sábado à noite.


O sono ainda dominava o corpo do belo rapaz. Deitado de tênis e com aquela espécie de terninho do trabalho, os cabelos estava agora bagunçados e seu peito subia e descia tranquilamente. Era um sono profundo, possivelmente com sonhos agradáveis.
“Sometimes, sometimes
when we was young, oh man, did we have fun…”
O telefone tocava. A música era gostosa, mas acordou Kyle como se a própria banda estivesse tocando ali, no quarto. Levantou-se um pouco atordoado pelo sono. Já eram 20h30min. Procurou o celular onde era de costume - na cabeceira da cama, no criado mudo - mas só encontrou em cima da TV, junto às chaves do carro. Duas chamadas não atendidas. Marissa e Arthie. Ignorou no momento. Ligou o som, botou um daqueles cds da sua época de adolescente.
Tirou os tênis, a roupa e seguiu para o banheiro de cueca. Acabou de despir-se e abriu a água do chuveiro. Água e vapor, era tudo que havia no momento. A música tocava na sala.
“Oh that boy's a slag, the best you ever had, the best you ever had is just a memory and those dreams…”
Kyle já estava com sombra de barba. Decidiu tirar no banho mesmo. Saiu de lá com a toalha tipicamente enrolada nas pernas. Ia fazer alguma coisa naquele sábado à noite. As músicas tocavam enquanto ele se vestia e bagunçava cuidadosamente os cabelos. Calças jeans surradas, um Allstar costumeiro e uma camisa familiar desses dias. Estava apresentável e pronto pra uma noite de possíveis distrações.
Pegou as chaves do carro e o celular em cima da TV, desligou o rádio. Seguiu descendo as escadas que agora estavam mal iluminadas. O porteiro diurno já havia ido embora. Ocupava seu lugar agora o porteiro noturno, sempre piscando para Kyle, que retribuía com seu sorriso habitual.
Foi para o carro, sua paixão. Todo amor materialista representado por aquela figura. Entrou no veículo, já discando o numero da Marissa. Caixa postal. Decidiu passar na casa dela, que ficava a umas três quadras dali.
Abriu a janela, o vento bagunçando deliciosamente os seus cabelos. Estacionou o carro na porta do prédio. Tentou uma nova ligação. Novamente a caixa postal. Desceu do carro, não se deu ao trabalho de fechá-lo. Bateu no 713, número do ap. da Marissa. Esperou. Ela não atendeu. Foi no que era sua última esperança. Cumprimentou o porteiro com um simples boa noite e foi tocar o botão do elevador.
Plim... o elevador havia chegado e, pra surpresa de Kyle, Marissa estava lá dentro. Os sorrisos se abriram, de ambos os lados, como se fizesse anos que não se encontravam.
Nem se perguntaram o que fariam, foram seguindo pro carro, Marissa murmurando palavras desconexas por não ter atendido o telefone, algo como “fiquei sem bateria”. E Kyle com um sorriso besta no rosto.
Entraram no carro. Marissa ia ligando para o Arthie, mas lembrou-se de ele ter dito qualquer coisa sobre um namorado. E desligou. Virou-se para Kyle e disse:
- É cara, parece que hoje somos só nós. Como nos velhos tempos.
Kyle sorriu e ligou o rádio do carro...

“In many ways, they'll miss the good old days someday, someday
yeah, it hurts to say, but I want you to stay sometimes, sometimes
when we was young, oh man, did we have fun always, always...”

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