
-Você não passa de uma ideia - eu disse a Daniel.
- E você não passa de uma pedra - ele disse ele com um meio sorriso.
Estávamos deitados no tapete da sala e estava começando a escurecer.
- Será que vamos para o inferno cara?
- Não sei, mas que mal há se estivermos juntos?
É, talvez não fosse tão mal assim.
- Vem chegando o fim, o que espera por mim?... - Comecei a cantarolar baixinho.
- Nos montes o último ângulo, nas mentes acordes de tango, vem chegando o fim.
Sorrimos. A luz do sol ia baixando, formando uma linha fina e amarela no tapete. Dava pra ver as pequenas partículas de poeira flutuando no nada.
- Teu efeito começou Daniel?
- Ainda não, tô com o papel na boca ainda.
- É que eu já engoli o meu.
Já tem meia hora que estamos deitados com pequenos papéis quadrados passeando por nossas bocas.-Gabriel, olha o feixe de luz no chão, porque acho que o meu começou
Olhei o feixe e ele estava pulsando no amarelo mais bonito que eu já tinha visto.
-Daniel, nós vamos pro inferno? - perguntei uma segunda vez.
Olho para ele, ali deitado no tapete. Pequenos globos de luz branca passeavam por seu cabelo e pele, como se ele estivesse faiscando. Os olhos trocavam do verde para o azul como em uma película de filme. Tudo era mais iluminado.
- Não cara, nós vamos ao céu !
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