Eu costumava dizer que o que tínhamos era sublime. Mas isso vai de cada um. Amor de tempo-lento, devagar, desinteressado, despreocupado. Amor diferente de tudo que você pode imaginar, mas ainda sim, encantador e suave como o real sentido da palavra. Sublime.
Sempre me diziam as mesmas coisas acerca do amor. Intenso e incontrolável, era o que diziam, do tipo que consegue anuviar qualquer tipo de pensamento ou ideia. Era como se existisse uma regra básica para o amor. A todos a quem eu confidenciava meu amor, nenhum foi capaz de entende-lo. Só uma o entendia, e era esta que importava.
Ela era majestosa, bela, com seu caminhar leve e excelso. Era como as altivas mulheres do norte, segundo meu avô, um dos únicos com quem eu palestrava. E foi ele quem disse que quando dois são fadados a solidão, eles podem encontrar-se e tornar-se um.
Ela me despia com um olhar, e as vezes, me proporcionava um streap-tease mental magnífico de se observar. Ela era um deleite. Jogos mentais talvez fossem nosso passatempo favorito e, sempre que ela perdia, me dava um beijo que era frio e quente ao mesmo tempo.
Por vezes ela me indicava o caminho das artes e da poesia, sem ser prolixa, como muitos eram. Creio que via em mim e em minha ignorância, um aluno em potencial. Eu fazia o que me parecia sensato, absorvendo em grandes goles, tudo o que ela derramava sobre mim.
Ela me ensinou a dançar tango, em uma das tantas noites em que nos encontrávamos, bebendo vinho e ouvindo o mesmo disco da Nina Simone. Pela diferença de idade, creio que nunca cogitaríamos estar vivendo aqueles momentos juntos um do outro. Acho que esse era um dos únicos traços do amor convencional que residia naquela incomum relação.
Sim, discutíamos acerca do amor, de como o mundo parecia afastar-se dese sentimento e de um medo que as pessoas tinham em fazer-se sentir. Já o nosso amor, bem, era racional, como nós costumávamos dizer, se é que poderíamos usar tal termo.
Vivemos juntos, desinteressados, lentos, amantes silenciosos, mas ainda sim amantes, aproveitando cada momento que o tempo-lento poderia nos proporcionar, porque estamos nos aproveitando deste amor tão...Sublime !!!
Nenhum comentário:
Postar um comentário