terça-feira, 11 de junho de 2013

Deixa o Verão pra mais tarde

    Outro dia ouvi uma frase que não dei atenção logo de início, mas que se mostrou, ahm, funcional. Era o seguinte:

"Você vai viver um grande amor, um amor de verão, e teus dias serão mais longos, pra tu amar por mais tempo"

    Nunca fui de me apaixonar não. Nunca me apaixonei, e posteriormente, amei. É difícil. Demanda coisas das quais eu não disponho, ou coloco para mim mesmo que não. Afinal, pode-se trabalhar para conseguir uma grana, e o tempo, bem, o tempo todo apaixonado consegue em prol da sua amada.
    É curioso que, da primeira vez em que a vi, ela estava no mesmo clube que eu, sentada ao sol. Ela atraia olhares magneticamente. Todos os rapazes e homens feitos olhavam-na quando passavam ou quando ela sacudia os longos cabelos negros, com ar indiferente pra todos. Início do verão.

                                                                            ***

    Ela me conforta. Signos iguais, gostos iguais ou absolutamente diferentes. Dois seres tão parecidos, mas com diferenças tão gritantes, que os que viam pelo outro lado do vidro, perguntavam-se o que nos mantinha juntos. Eu nunca respondi diretamente esta pergunta, mas sempre soube a resposta. O compromisso era firmado na falta de compromisso. Não era uma coisa conversada, só acontecia, assim como o verão.
    Os dias longos e quentes, eram seguidos pelas luas amenas. O verão era quase infinito. Quase. Lembro-me de todas as infindáveis tardes de um verão sem compromisso. Hoje, na minha cabeça, elas parecem um filme. Consigo me lembrar de nós dois, caminhando pelo campo, beirando a mata, e eu catando pequenas flores secas para prender nos cabelos dela, enquanto ela me cantarolava canções e afagava meus cabelos.
     Deitávamos para olhar o sol e as nuvens ou colocávamos os pés num laguinho ali por perto. As mordidas inocentes e as cócegas também enchiam o dia, junto das risadas, que por várias vezes, nem tinham motivo pra estar ali, apenas estavam. Os dias eram tão longos.
   
                                                                            ***

    Ela era difícil de lidar, eu ainda sou difícil de lidar. Por vezes, nos tornávamos insuportáveis, mas era por pouco tempo. Um não procura, o outro não procura. Íamos levando assim, um interesse desinteressado.
Mas, como uma pobre alma disse alguma vez, eu viveria um grande amor. O que aconteceu de fato. O problema foi que só eu vivi, o verão acabou.Não há mais dias infinitos com aquilo que alguns chamam de amor, não há mais nada. Esqueci-me de que, como o verão, tudo termina, por mais longo quente e belo que fosse. E depois do verão, as folhas caem, e vem o outono, com força total. Ainda tomo comprimidos para dormir e parece bobeira comentar, mas em inglês, o outono se escreve como Fall. As folhas caíram, e o inverno foi deveras longo, mas agora já posso quase sentir o cheirinho da primavera chegando de novo. Tomo outro comprimido e volto a dormir.


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