sábado, 31 de agosto de 2013

Inimigo M(eu)

Inimigo meu, eu quero e vou foder com você. Quero que seja luxurioso intenso e bonito.
(Auto)- Destruição. Quero te destruir de todas as formas que conheço, e neste processo, descobrir outras. Quero destruir algo bonito ( o amor?), quero sabotar, quero respirar fumaça.

Inimigo meu, não há ódio em meu âmago, muito pelo contrário, há amor, temor. Há medo. Inimigo meu que só existe porque eu, sim, EU lhe confiro existência sempre que falo com você odeio/amo/sou você. Sempre.

Porque sempre o vejo como um reflexo de mim mesmo?

Loucura.

Amo odiá-lo da mesma maneira que temo ama-lo. Amo sabota-lo, faze-lo cair, enlouquece-lo. Destruí-lo é me destruir. É como eu desconstruir uma parte de mim para destruir você inteiro.

Inimigo meu, conviver com você é tomar veneno pensando em suicídio e acordar horas depois descobrindo que falhei. Que errei mais uma vez. É acordar e descobrir que você não foi embora e nunca irá na verdade.

Sou o meu próprio pior inimigo, aquele que pode sempre escolher entre o bem (?) e o mal (?) mas que sabe que, no fim, não há diferenças, só pontos e mais pontos de vista. Nada é injustificável ao mesmo tempo que tudo é.

Em meio a dois espelhos dispostos frente a frente, consigo ver infinitos eu, infinitos você, dizendo infinitamente:

- Inimigo meu.

Inimigos atrás de mim e a minha frente. Quero quebrar os espelhos e assim o faço. Vejo o infinito se quebrar, caindo em estilhaços no chão. Resta apenas um agora, em pé no meio aos estilhaços do que outrora fora  infinito, dizendo continuamente: - Inimigo, eu.

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