segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Daydream

Perdido em devaneios. O que eu vejo?

A cadeira vazia, uma arma carregada, o cavalheiro verde, a rainha adolescente, o escolhido.

Perdido em devaneios... Anjo ou demônio? O que muda, o que sempre muda é o ponto de vista. Se você procura pelo homem Jesus (ele não está aqui), ajoelhe-se e espere pela redenção. Ela vem, mas nem sempre é pelas mãos dele. Nem sempre.

Perdido em devaneios, vejo um homem que responde a agressão de uma mulher. Posso ver a briga de gêneros formando-se na cabeça de cada espectador presente. Masculino versus Feminino. Marte versus Vênus. Para os agressores não passa de uma briga, uma sucessão de erros que será esquecida ou nem tanto quando o efeito do álcool passar. Anjo caído o o demônio que enfim criou  asas ? Um pouco dos dois talvez?

Perdido em devaneios... A mulher sexualmente abusada no banheiro de uma festa qualquer. Ela consegue escapar do agressor mordendo-o. Sua última e mais animalesca defesa. O sangue mistura-se ao gosto do álcool na boca, ela não sabe ainda, mas aquilo lhe traria uma satisfação incomum tempos depois. O corpo vai curar-se da agressão, mas a mente, ah, essa não. Ela nunca esquecerá aqueles olhos beirando a selvageria, a respiração ofegante, o toque grosseiro, a brutalidade que o ato do estupro encerra. Nunca. Pessoas a observam. Ela está em choque,  vagando pela festa, a boca suja de sangue humano, que escorre por seu pescoço, mas ela não se dá conta. Está perdida...

Perdido em devaneios...

O inocente cruel. Poderia ser uma carta maior do tarot de Marselha, pela complexidade e simplicidade que encerra simultaneamente. A criança que retira o irmão ainda bebê  leito quente e seguro para logo em seguida, larga-la no ar, ao encontro do chão duro, mortal. Há sangue mas a criança não se importa. A idade terna a faz querer brincar com seus bonecos. A mãe fica estacada na porta ao ver o filho mais velho brincando ao lado do bebê, que repousa agora para sempre em cima de uma considerável poça de sangue ainda fresco. O cheiro do sangue se mistura com a visão. Raiva ódio medo raiva. Frenesi. " Olha mamãe, estamos brincando juntos. ", foi a última coisa que aquele garotinho disse. Infanticídio.

Anjos ou demônios? Nenhum. Não há nem mesmo o homem Jesus. Existe o ser humano, a maldade, a bondade (porque não?) Há pontos de vista, infinitos, como as luzes no universo. O mal mesmo que exista e se faça presente, não passa de um ponto de vista. Olhar para ele sozinho, é como tentar olhar para diretamente para o sol e observar todos estes pontos ao mesmo tempo
(é como observar o caos etéreo)
é como tentar enxergar o universo em uma olhada só.

Você fica perdido em devaneios.
Perdido em devaneios.
Perdido em.
Perdido.

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