sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Na Madrugada

Na Madrugada.

Kyle e Marissa seguiram para um pub famoso no centro da cidade. Iam começar a noite no melhor estilo. Algumas doses de scotch pra animar a noite. Marissa bebeu duas pra esquentar, como disse ela logo depois. Talvez aquela noite fosse como as várias outras que Kyle passava com ela. Começavam bebendo no pub. Se beijavam. Chamavam alguém do gosto deles pra participar do beijo. Homem, mulher, não fazia diferença. A diversão proporcionada era a mesma.
Kyle olhou com aquela cara o-que-faremos-hoje-à-noite para Marissa. Ela balançou os ombros, e ele leu nos lábios dela “loucura”. A música ao vivo do pub já tinha começado. Um rock mais leve tocado por caras cabeludinhos.

“Now then Mardy Bum
I see your frown
And it's like looking down the barrel of a gun
And it goes off
And out come all these words.”

Kyle fez sinal pra eles sairem dali. Marissa tinha comprado uma garrafa do whisky pra viagem. Ficaram pouco aquele dia. Ninguém havia de interessado por eles. Talvez estivessem velhos demais pra essas brincadeiras. Mas eles tinham uma garrafa da melhor bebida do mundo e um carro veloz. Kyle seguiu pro seu apartamento, porque eles gostavam de beber no terraço do prédio. Havia cadeiras, um som onde eles punham as músicas preferidas. Aquele era um lugar só deles. Um momento só deles. Às vezes bebiam e olhavam a cidade, ou só conversavam e até mesmo só ouviam músicas. Não precisavam de um real motivo. Era só o momento.
Marissa botou o cd no rádio. Ah, o Noel e o Liam, como aquilo acalmava. Ela também fez duas doses do whisky com gelo e foi sentar-se ao lado do Kyle. Um sorriso de cumplicidade. A vista da cidade, que formigava a uns 20 andares abaixo deles. O céu sem nuvens, apenas estrelas.
O típico momento simples e perfeito.
Mais uma dose. Um beijo. Mais algumas doses. Mais Beijos. Logo estavam cantando desafinados e meio bêbados...

“Someday you will find me
caught beneath the landslide
in a champagne supernova in the sky.”

Eles subiram na beira do prédio de mãos dadas, cantando ainda os trechos que lembravam.
Se abraçaram. Mais um beijo. Desceram e ficaram sentados abraçados, sorrindo um pro outro.

Kyle acordou. Era madrugada. O cd ainda estava no finalzinho. Um vento frio soprava no terraço agora. Ele se levantou devagar, recostou Marissa na parede, desligou o rádio, pegou os copos e a garrafa de whisky, que estava pela metade. Um meio sorriso correu por sua boca. Não se lembrava de ter bebido tanto. O efeito do álcool já tinha passado. Eles deveriam ter dormido mais de 4 horas. Foi até Marissa e deu uns chutinhos amigáveis para acordá-la.

- Ei, Marissa, vamos descer pro apartamento – falou Kyle com uma voz sonolenta –, tem cama pra você lá.
- Cinco minutos - resmungou ela.

Kyle desceu pro apartamento com a garrafa e os copos nas mãos. A luz do dia começava a surgir no céu.

O final trágico

A noite tinha sido tão especial. Kyle decidiu sair pra comprar café para os dois.
Subiu no terraço de novo e deixou as chaves e mais um bilhete na mão dela com os seguintes dizeres: “Fui comprar café. Tem que dar aquele empurrãozinho na porta, você se lembra, não é?
Tome um banho se quiser. Volto logo. Beijos, Kyle.”

Kyle desceu até o carro, no estacionamento do prédio. O sol começava a esquentar o ar.
Ele entrou do carro. Teria que ir até o centro, pois não havia estabelecimentos 24h ali nas redondezas. Ficou afim de um cigarro, e conferiu no porta-luvas. Havia uma caixa dos seus preferidos. Acendeu um e arrancou com o carro para as ruas da cidade.
Iam tomar café hoje, como nos tempos de adolescência. Os fins de semana inteiros deles. Alguns rachas de carros, bebedeira, promiscuidade. Mas o tempo levou isso deles. Já não podiam mais agir como antes. Tinham suas responsabilidades e obrigações. Tudo parecia ficar tão distante. O Arthie afastado com seus namorados e namoradas. Só Kyle e Marissa ainda tentavam reviver os velhos tempos. Mas conseguiam no máximo alguns vislumbres. Talvez fosse hora de...
O barulho ensurdecedor de metal amassando e vidro quebrando. Tudo rodou. A visão de Kyle ficou branca, depois pipocaram luzes de todas as cores. Sentia uma coisa quente lhe escorrendo o corpo.
Não havia mais consciência. Sirenes tocando. Gritos desconexos. A coisa quente era seu sangue. Estava encharcando quase todo seu corpo. Estava de cabeça pra baixo. Pingava-lhe sangue. Mãos desconhecidas o puxaram dali. Via o céu azul. Não sentia mais dor, nem o corpo.
Desfibrilador. Seringas de adrenalina. Não havia tempo. Tudo escurecia. Voltou a ver o céu azul, mas um momento. Só conseguiu pensar nela. Tudo escureceu novamente.
Marissa, agora acordada e com o bilhete apertado na mão, esperava ansiosa pela volta de Kyle.
Uma notícia sobre um acidente de carro passava no jornal matinal. O carro do Kyle. Em caminhão batera nele. A vítima havia morrido. Lágrimas inconscientes queimaram o rosto da garota. O que ela tinha agora?
Ainda em lágrimas, viu o resto da garrafa de whisky. Pegou-a, subindo pro terraço.
A garrafa já estava vazia quando ela alcançou o ultimo andar. A luz do sol a fez cerrar os olhos.
Ela caminhou chorando silenciosamente até a borda do prédio. Subiu nela. Mais lágrimas desceram. Um último sorriso. Uma última lembrança de todos os bons momentos.
E tudo ficou escuro novamente.

Um comentário:

Pâmela Vieira disse...

Essa história daria um belo filme.

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