6 de junho de
1989
Nós somos humanos ou dançarinos?
Á dois dias eu estou aparentemente sozinho no mundo. Duas noites de sono, que embora bem dormidas, definitivamente não me descansaram a mente. Os sonhos eram vazios como o mundo em que eu me encontrava agora. Ontem havia sido um dia cheio. Tentei em vão andar nas motocicletas que me agradavam, sem sucesso, infelizmente eram pesadas ou grandes demais para eu utiliza-las. Com a cidade absolutamente vazia, obviamente não havia motivos para que eu ficasse preso aqui, sem amigos, os pais ou a namorada, era hora de conhecer o mundo. Explorei a cidade a ermo, desci aos subúrbios, antes tão cheios de vida, agora vazios e tristes. Subi para a parte alta da cidade, toda riqueza e ostentação, agora abandonadas às adversidades temporais. Queimei uma daquelas mansões. O fogo consumindo cada cantinho da casa, das odiosas cortinas que protegiam as janelas dos olhares curiosos, aos lençóis de algodão egípcio. Queimando e queimando. Talvez eu colocasse fogo na cidade antes de ir. Mas enfim, ontem eu fiquei separando coisas para minha partida. Peguei umas roupas novas no shopping, comida enlatada e uma barraca de acampamento, lanternas e pilhas e peguei uma arma também, embora não soubesse do que eu precisaria me proteger. Talvez eu precisasse me proteger do meu próprio eu. Voltei pra casa empurrando um carrinho de hipermercado, com a coleta que eu havia feito no shopping. Quando cheguei em casa o sol ainda não havia se deitado. Aproveitei para fazer um chá de mirtilos, daqueles que minha mãe sempre tomava ao fim da tarde. Fiquei observando o sol descer completamente, e a escuridão tomando seu lugar. Após toda a luz diurna ter ido embora, ascendi a luz do meu quarto, que por motivos que eu desconheço, ainda estava se acendendo. Eu queria ouvir música. Talvez um pouco de Kiss ou Queen, qualquer coisa. Fui á vitrola para botar o disco. Como era bom não haver ninguém pra reclamar da música alta. Já devia passar das 8 da noite, eu não saberia, porque meio que parei de olhar os relógios. Uma dose dupla do melhor uísque do pai para completar a festa. Uma festa de despedida daquele lugar. Parto para ver o litoral amanhã !
Noxx, 6 de junho de 1989.
Nós somos humanos ou dançarinos?
Á dois dias eu estou aparentemente sozinho no mundo. Duas noites de sono, que embora bem dormidas, definitivamente não me descansaram a mente. Os sonhos eram vazios como o mundo em que eu me encontrava agora. Ontem havia sido um dia cheio. Tentei em vão andar nas motocicletas que me agradavam, sem sucesso, infelizmente eram pesadas ou grandes demais para eu utiliza-las. Com a cidade absolutamente vazia, obviamente não havia motivos para que eu ficasse preso aqui, sem amigos, os pais ou a namorada, era hora de conhecer o mundo. Explorei a cidade a ermo, desci aos subúrbios, antes tão cheios de vida, agora vazios e tristes. Subi para a parte alta da cidade, toda riqueza e ostentação, agora abandonadas às adversidades temporais. Queimei uma daquelas mansões. O fogo consumindo cada cantinho da casa, das odiosas cortinas que protegiam as janelas dos olhares curiosos, aos lençóis de algodão egípcio. Queimando e queimando. Talvez eu colocasse fogo na cidade antes de ir. Mas enfim, ontem eu fiquei separando coisas para minha partida. Peguei umas roupas novas no shopping, comida enlatada e uma barraca de acampamento, lanternas e pilhas e peguei uma arma também, embora não soubesse do que eu precisaria me proteger. Talvez eu precisasse me proteger do meu próprio eu. Voltei pra casa empurrando um carrinho de hipermercado, com a coleta que eu havia feito no shopping. Quando cheguei em casa o sol ainda não havia se deitado. Aproveitei para fazer um chá de mirtilos, daqueles que minha mãe sempre tomava ao fim da tarde. Fiquei observando o sol descer completamente, e a escuridão tomando seu lugar. Após toda a luz diurna ter ido embora, ascendi a luz do meu quarto, que por motivos que eu desconheço, ainda estava se acendendo. Eu queria ouvir música. Talvez um pouco de Kiss ou Queen, qualquer coisa. Fui á vitrola para botar o disco. Como era bom não haver ninguém pra reclamar da música alta. Já devia passar das 8 da noite, eu não saberia, porque meio que parei de olhar os relógios. Uma dose dupla do melhor uísque do pai para completar a festa. Uma festa de despedida daquele lugar. Parto para ver o litoral amanhã !
Noxx, 6 de junho de 1989.
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