domingo, 6 de maio de 2012

Ainda somos os mesmos


O mês de maio é uma coisa violenta. Os ventos assoprando os fios pra longe. Na cidade os corações batem, e o vento levando os fios para longe. Todos cantam o amor no mês de maio.  E me dizem :

-Tão Jovem, tão jovem, como pode alguém tão jovem carregar uma dor assim?
 E respondia:
-Eu sei que é pesado, e que isso talvez não seja a luz, mas como levar com os braços cruzados?

Tudo acontecia no mês de maio, essa coisa violenta. O ciclo eterno da morte e vida do amor, enquanto o vento levava os fios pra longe.
Os amores que caiam como as folhas de outono, e só voltavam na primavera, voltando em meados de setembro.

Já faz um tempo, eu vi você na rua, cabelos ao vento, gente jovem reunida. Acenei timidamente. Quem diria que nosso amor havia sido soprado junto com os fios?

Minha dor é perceber que apesar de tudo aquilo que vivemos, ainda somos os mesmos.
 Então vem o fim do mês de maio, e é como se o vento soprasse as memórias ruins. A vida volta ao normal, e o inverno vem trazendo o frio cortante.
Mas agora com o inverno, eu me sinto mais confortável. Como se a frieza do coração se tornasse externa, e o frio não ficasse mais por dentro.

Depois vem a primavera, e as coisas florescem novamente. O verão vem para aquecer os corações. Então novamente começa o outono, com os ventos violentos do mês de maio. Soprando fios e corações pra longe. 


*Com trechos de Month Of May do Arcade Fire e Como Nossos Pais da Elis Regina


Um comentário:

Jas disse...

Muito bom.*--* Mês de Maio é perfeito

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