sábado, 24 de outubro de 2015

Estrela Decadente

     No meu céu, enxergo apenas o brilho das estrelas decadentes. O momento da morte é onde elas mais brilham, apaixonantes, tornam-se incandescentes. O exato instante onde a estrela nasce para a morte. 
     E foi assim que Frank Black, este que vos fala, conheceu Valentim, a mais quente das estrelas, que sempre insistiam em despender-se do céu, e iniciar uma magnífica queda iridescente, rodopiante. 
     E assim que nascera mais uma vez, para a morte, Valentim era nada menos do que a apoteose da beleza. Era a máxima de um ditado que dizia que as pessoas tornam-se sempre mais bonitas quando estão de saída. Colocação nada mais que oportuna, para referir-se a Valentim.
     O narciso perfeito, meu Valentim. Cabelos cor de sol, e os olhos, deliciosamente azuis, como o Mediterrâneo mar da Terra. E o corpo, ora luz, ora carne, para minha sorte. Era antítese. Macio e rijo, ao mesmo tempo, encarnando o ideal grego de beleza que beira ao perfeito. Oh Valentim, senti-lo, tocá-lo, era inconcebivelmente quente, flamejante. O calor exagerado dos teus beijos poderia ebulir facilmente o sangue e gás dos que não estavam devidamente preparados. 
     O sexo era como chegar a borda do infinito e não precisar voltar.
     Era difícil não amá-lo. Entregar-se ao abraço explosivo e entrar em combustão, girando tão rápido que dois tornavam-se um. 
     O um que era o passo incerto e enchia o ar ao redor de calor morte e vida. 
     O um brilhava sempre mais. 
     Amá-lo era construir um barco só para que afundasse e estar consciente disso. Amá-lo era gostar disso. Gostar de ver o barco enfim, chegar no profundo oceano da mente de uma estrela decadente. 
     Toda estrela decadente brilha mais, por ser de fato, o passo consciente em direção a morte inevitável, fluorescente. 
     Oh Valentim, eu o amo, amo, amo ! 
     Agora mais do que nunca, quero desprender-me da abóbada que chamam Céu, e descer rodopiando com você. Desintegrar-me no calor do teu abraço e morrer na explosão brilhante do teu sexo. Quando dois tornam-se um.

     Quero morrer Valentim, novamente, com você, de amor cadente. 


                                                                                       De Frank Black para Valentim. 

Um comentário:

Pâmela Vieira disse...

Ler esse texto lindo escutando "Pequena Morte", par perfeito.

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