sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

O Bom-demônio

Demônio branco, porque deixou seus amigos partirem?

***
Era bonito, bonito e filho de uma puta. E era egocêntrico, com um ego maior que o mundo que conhecia. Era alto, o corpo com os músculos bem definidos, sem parecer forte. Os olhos eram rápidos, cínicos, e azuis como o céu de brigadeiro. Definitivamente não eram as janelas da alma, não da dele. Aqueles olhos ali eram frios, falsos, irônicos, e ao mesmo tempo, inocentes, apaixonados e pensadores. Enganavam a todos facilmente. O cabelo negro era bagunçado propositalmente, pra dar um ar menos sério a ele. Os dentes eram um pouco tortos davam um certo charme a boca, que era sensual. Aquela boca que beijava a quem queria tamanha beleza unida a poder de persuasão. Talvez uma palavra o definisse: Perfeição. Se não fosse isto, chegava bem perto. A perfeição oculta nas pequenas imperfeições.
Era um perfeito cavalheiro, educado, havia perdido o sotaque, tamanha habilidade que tinha com a língua culta. Seduzia a todos com as palavras. Amava fazer aquilo, aqueles jogos com as pessoas. Apaixonar, largar, apaixonar largar. Era perfeito! Nenhum compromisso, dores de cabeça zero.
Ah, mas o demônio branco tinha um pequeno defeito. Vez ou outra, um sentimento de compaixão abatia sobre ele, as vezes pelos seres ou situações mais inusitadas. Nessa hora , uma vozinha lhe perguntava : Ora demônio branco, pra onde foi o seu beijo egoísta?
Então ele ia ao seu inferno material, arrumar a tristeza. Felicidade e tristeza eram coisas que se completavam nele. Ora muito feliz, ora muito triste. Estendia seu coração, deixava-se apaixonar por uma noite, e tudo ficava bem de novo.
Mas o coração era como um pedaço de metal, nada conseguia trespassar a carcaça. Deixava a mente vagar até os confins do oceano mais fundo, onde as esperanças afundavam, procurando sentido em tudo aquilo.

Ah demônio perfeito, que de perfeito só tem o conceito, como eu o amo, como eu anseio por você. Sua beleza, sua maldade que só é maldade pra você, sua imperfeita perfeição. A melancolia expressada em seus sonhos e sentimentos é de lágrima. Como algo tão perfeito pode ser ao mesmo tempo tão triste?
Sei que esta divagação também pertence a você demônio branco, aliás, somos a mesma parte de um completo. Sua beleza me fascina ao mesmo tempo que me intriga. Mas eu sei que você, mesmo sendo um demônio, é um bom demônio. Você é o demônio branco. Você sou eu.
E o entendimento vem por parte dos dois lados. Você entende que não existe, é só uma consciência quase independente. E eu tomo consciência de que você existe em mim. Tão irônico! Nós nos anulamos.

Mas quando eu paro pra pensar, eu me pergunto, para onde foram os seus amigos demônio branco?

Nenhum comentário:

Postar um comentário