quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Carpe Mors


Empresários bebem meu sangue, como as crianças da escola de arte disseram que eles fariam. O ano vem chegando ao fim e em poucos dias estaremos cheios. Cheios de falsas esperanças e promessas vazias. Estaremos preenchidos pelo vazio.
                Não existem maneiras conhecidas para se desvencilhar do esquema de deus. Estamos presos. Pressupondo a existência de tal deus, ele não tende a ser bom ou mal, ele apenas é. À todo momento surpreendo-me com a velocidade em que o tempo correu durante este ano. Mais de trezentos dias, e nada que valha a pena para lembrar-se. Estou cheio de estar vazio.
                Não há conforto, mas também não há o que posso chamar de desconforto.  A vida é e não é. O tempo corre mas perde-se na igualidade dos dias.  É como  ver o mesmo filme repetidas vezes. Ficar preso à realidade quando esta deveria ser o sonho-pesadelo.
                Morte em vida, e o fim do ano se aproxima, imbuído de promessas de vida nova. Ano novo vida nova, ano novo não-vida. Talvez meu amigo, talvez.
Empresários continuam bebendo meu sangue, mas agora não demora à pararem. O final do ano-vida chega, a porta se abre, e estarei pronto para dar um passo passo para a escuridão.
                Talvez isto seja um adeus. 

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