Estou deitado a beira da piscina, os olhos meio abertos, meio fechados, observando a última réstia do sol se esvair em um festival de lilases no céu. Os barulhos na água aumentam logo se acalmam. Os dois ainda estão lá, indo e vindo. Meu corpo está quase todo seco, e sorrio ao sentir o toque meio frio da primeira brisa noturna. O céu encontra-se quase azul agora. Escuto o som de quem deixa a piscina pra trás, passos molhados que no silêncio em que me encontro, soam como tapas. Dois pares de passos. Caio deita-se nos arredores do meu peito e também fecha os olhos. Os cabelos molhados causam um estranho prazer quando me tocam. São frios e quentes ao mesmo tempo. Anna também se deita. A cabeça junto a minha, mas os pés no extremo oposto. Ouço nossa respiração, e também, o mundo que respira em volta. Grilos, pássaros de fim de tarde, o murmúrio da água na piscina se acalmando, do vento lambendo as folhas lentamente.
Abro os olhos instantaneamente ao ouvir o clique do isqueiro, e digo querer um. Anna também quer e nós acabamos por acender o cigarro na mesma chama, sem tirar os olhos um do outro. A simplicidade e beleza do momento são quase utópicos, ou distópicos, talvez. Caio me beija. Eu beijo Caio. Caio beija Anna. Anna me beija. Envoltos em um abraço que cheirava a fumaça e protetor solar. Nos deitamos novamente, infusos em carícias trocadas e palavras não ditas.
A noite não é fria e nem quente, é amena. Não dá pra definir exatamente. Os beijos são quentes, o sangue é quente. A água não parece tão fria agora. Faço menções de me levantar e dois ou três beijos depois, estou livre para abaixar meu calção e pular nu na piscina. Uma ideia completamente plausível depois de um dia inteiro de álcool e cigarros. Um exercício saudável de socialização entre amigos. E como previ no momento em que abaixei o calção, sou seguido pelos meus amantes fiéis.
E lá estamos, nadando nus, aproveitando a visão de corpos tão conhecidos pelo toque, pelo calor. Sou o primeiro a sair, só para acender mais um cigarro. E a fumaça me deixa contemplativo, observando os dois ali, como dois peixes exóticos em um aquário maior que o normal.
E o frio se fez real após o décimo segundo cigarro seguido. Pego uma toalha grande o bastante para todos e vamos para dentro. Alugamos uma pequena cabana nos limites da cidade, era pequena, um quarto só, apenas uma cama de casal. Na sala, um sofá de três lugares , um tapete bem peludinho, e uma lareira. Havia também um espaço para um bar e uma cozinha, onde alternadamente preparávamos a comida.
E nós nos deitamos naquele tapete estranhamente macio. Estou extremamente cansado, até para acender um ultimo cigarro. Estamos aninhados, confortáveis, aquecidos. Lembro que ainda não jantamos e deixo meus olhos me enganarem. Quase acredito que adormeci, mas minha menta vagueia com um onírico pincel, pintando os dois, fazendo-os dançar. Eu quase posso me divertir.
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